SEM EMOÇÃO NA BALADA

Como grosseria ou pedantismo estão se tornando protagonistas da noite
EM um livro com crônicas selecionadas de Martha Medeiros, li que por mais que a gente amadureça e descubra que nenhuma pessoa vai satisfazer 100% de todas nossas necessidades afetivas, intelectuais, sexuais, materiais, sejam, elas idealizadas ou não, dói demais abrir mão do encantamento, “guardamos lá no fundo resquícios de conto de fadas”.
NA contramão dessa afirmação, a balada do aqui e agora, parece oferecer uma preliminar desses tempos, (vou pegar leve), mais ásperos. Como um dia de treinamento do desencanto ajudando jovens de coração, a enterrar qualquer vestígio de mágica.
Não estou falando de faz de conta não, mas de romantismo, arrebatamento e toda aquela gama de emoções que dão mais cor e sentido à existência.
O que gatas, e não faz diferença se do tipo decotadas ou bem educadas, andam enfrentando noite adentro, é um reflexo grosseiro de como a imagem feminina está deturpada e de como os baladeiros de plantão emburreceram.
Poucos dominam a arte do diálogo sagaz e da sedução. E os que teriam QI para isso, devem achar um esforço dispensável.
Sutileza de espírito, humor perspicaz, uma frase bem sacada, obviamente não convivem no mesmo universo dominado por um escracho constrangedor.
Pior que isso, são os malas. Aqueles caras pedantes, que geralmente andam em bando e empoleirados, com grana demais e classe de menos. Charme é um nome de cigarro ruim de uma época atropelada.
Os que se escondem atrás de justificativas equivocadas, rebatem que o nível da “cantada” baixou na mesma proporção da bainha dos previsíveis vestidos tomara-que-caia. Eu, acostumada a tomar susto em banheiro feminino desde a época que o Warung reinava onipresente, discordo. Não é o comprimento da roupa e sim a atitude e a falta de amor próprio que chocam e distorcem tudo. Nada mais natural e literal então do ficar virar Pegar.
Ninguém mais precisa falar, muito menos tentar mostrar a melhor versâo de si mesmo. É só pegar e levar.
Almas simplórias, cuidado. ‘Gostosa” é um comentário genérico reducionista, não um elogio. E tem vezes que a visâo de cima de um camarote, só deixa o dia seguinte mais vazio.
Um ogro não tem cara de ogro na vida real, mas dificilmente se transforma num cara legal.
E quem te disse que para chegar no príncipe você vai ter que engolir sapo, a muito tempo deixou de acreditar que eles existem.
As garotas espertas sabem que isso não é verdade e que cabe a elas definir seu próprio happy-end.
Seja por uma noite ou muitas vidas.










Adorei esse texto, muito bem colocado. Beijocas
Obrigada Luciana, não estamos sozinhas, rs!
Bjoo, V+A.