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A Verdade Despida e Crua

A Verdade Despida e Crua VOCÊ TEM SEDE DE QUE?

CÓDIGO DE HONRA – Você tem um?

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Uma pessoa de princípios, gente de bem, um homem de palavra. Soa como ecos de outra época?

Não importa o dia, mas a situação… tendemos a confundir o legal com o ético, mesmo sabendo que leis não são sinônimo de justiça.

A maioria de nós se julga correta, e a maioria talvez careça elevar aspirações. Basta uma oportunidade conveniente, que veja só, não é crime, para que todas nossas superficiais certezas caiam abaladas. Pessimistas ou realistas – dependendo do seu ponto de vista – dizem que, diante da necessidade, todo idealismo é ilusão.

Acredito que houve uma grotesca desconfiguração de valores, que hoje não são mais percebidos como tais. As pessoas simplesmente não possuem referências de moral. Impera, em todos os níveis da existência, um vale-tudo pela sobrevivência. Onde soterramos  nossa consciência?

E como todo o enredo de apocalipse zumbi atesta, quando o mundo vira barbárie, ainda cabe a você escolher o maior ou menor grau de civilidade. E até que ponto vai perder sua humanidade.

Quantos de nós  cometeríamos algum deslize se soubéssemos que sairíamos impunes? Quando a ordem dá lugar ao caos, quantos permanecem fiéis aos valores éticos e morais que pautam sua conduta como ser humano?

E, no entanto, talvez seja na pequeneza do cotidiano que a corrosão das nossas virtudes se instale. Naqueles corriqueiros  gestos e atos, aparentemente sem tanta importância, onde burlamos as linhas mestras dentro das quais nos movemos. Tentados pela ocasião, ávidos pela vantagem oportunista, com o austero discurso de rigores para o resto, enquanto praticamos tolerância permissiva entre os nossos. Não é uma questão de a qualquer custo, por qualquer meio. Nada necessariamente nem explicitamente inescrupuloso. Não. É algo velado, nebuloso e, por isso, perigoso.

Porque começamos a achar banal ter dois pesos e duas medidas. Que é normal uns terem mais direitos que outros. Que o lícito é uma questão de interpretação e conexão.

E na ausência de um código de honra, nos  assemelhamos a baratas, nos adaptando na podridão do que toleramos e nos alimentamos, mesmo sabendo ser errado. Nos equilibrando tropegamente entre o bem e o mal.

Alessandra Schauffert, fã obcecada de Walking Dead,

tem a péssima mania  de definir as pessoas

a partir de quem poderia estar ao lado

diante de uma invasão zumbi. #FearTheWalkingLiving

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DA ESTÚPIDA SÉRIE Enigmas que Desafiam o Bom-Senso

Falta bom-senso no mundo, e quando falo mundo não me refiro apenas a uma globalização e banais generalizações das quais observamos sem nos sentirmos parte ou responsáveis. Falo das pequenas esferas cotidianas, onde todos podemos fazer mais.

Dia desses, na praia,presenciei uma cena inusitada. Vinha caminhando na Brava  e a grande quantidade de plásticos pela areia me chamou a atenção. Recolhi  o que estava ao meu alcance – tá, aí algo que não consigo entender, como as pessoas conseguem passar por cima e ignorar, como se não pertencessem a elas, não o plástico, mas o ambiente.

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Minutos depois, já deitada, observei a prefeitura chegar para fazer a limpeza, e antes que eu pudesse ficar mais aliviada, percebi que não se preocupavam com o lixo, e sim com galhos, troncos, gravetos, tirando todos esses elementos naturais que se decompõem, e deixando o que de fato não fazia parte do ecossistema.

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Quando os indaguei, disseram que são obrigados a retirar todo os troncos-todos!-  e que o lixo que gruda na restinga eles não podem mexer, pois poderiam estragá-la. E como se essa fosse uma justificativa geral para todo o lixo da praia, seguiram, fazendo um trabalho muito mais exaustivo e sem sentido ao meu ver.

Um seguir ordens sem de fato indagar o que elas realmente significam, passando a bola da preocupação para uma rede coletiva e fora da realidade.

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Claro que eventuais  madeiras perigosas e com pregos devem ser retiradas, ou dispostas mais acima, para não voltar ao mar. Mas e o pacote de fandangos ao lado do graveto, e a garrafa de vidro, não é tão perigosa quanto?Fico me perguntando, quando vamos ter empresas públicas trabalhando e sendo administradas como empresas que precisam ser competitivas, com  pessoas pro-ativas motivadas pela meritocracia.

Tudo isso pode parecer muito pequeno e corriqueiro. Mas justamente por ser desse tamanho que me assusta. Imagina só como não são resolvidos e talvez jamais serão,  os grandes problemas.

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Americanas PORQUE LOJAS POPULARES SÃO RELAXADAS?

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Aniversários de amiguinhos dos filhos, amigos secretos, pedidos de doações… as incessantes demandas escolares se multiplicam no fim-de-ano.

Decido buscar algo em um lugar que gosto, uma livraria, e vou para o shopping de Itajaí. Passo em frente das Lojas Americanas e  de imediato lembro da dica do grupo das mães da escolinha do Be, sobre uma promoção de bonecas que imitam bebês e que são febre entre garotinhas.

Mesmo focada em encontrar os brinquedos, não consegui abstrair a feiúra em volta. Além dos setores se misturarem sem uma logística compreensível, a maioria dos produtos não parecia exposta,  mas displicentemente armazenada . Muitos pareciam velhos, me deparei com uma caixa de panetone que parecia sobrevivente de um apocalipse zumbi.

Observei as instalações: paredes descascadas, prateleiras de ferro dispostas de qualquer jeito atulhadas de coisas caindo, todo o ambiente padecendo de um relaxamento deprimente.

Por que não achamos errado que ditas lojas populares, as que oferecem vantagem na política de preço praticada, se apresentem ao consumidor com um aspecto negligente e descuidado? Confundimos esses valores por aqui, como se o barato tivesse que ser maquiado com falta de ordem e mediocridade para parecer que custa menos.

Em contrapartida, os poucos funcionários que encontrei foram extremamente solícitos e bem-humorados. Não sei se conseguiria manter meu otimismo trabalhando em meio a um atentado visual diário.

Me dirigi ao caixa (havia apenas 2 abertos) para descobrir:

  • compras acima de 250 podem ser parceladas sem juros.
  • não existe como empacotar presentes.
  • se alguém quiser trocar algum presente ganho, terá que levar o cupom total.
  • se você comprou mais de um presente, você(!)  tem que tirar xerox do cupom fiscal(!?)para a outra pessoa ter direito de poder realizar uma eventual troca.

O que eu esperava? Lojas Americanas não rima com presentes, nem com nada que emocione os sentidos. Mas, por que precisam ser uma agressão tácita  a eles?

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ARMADILHAS de um EGO MONUMENTAL

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O Museu do Amanhã no Rio é, desde sua abertura, além de programa cultural incontornável, um marco arquitetônico da nova revitalização carioca.

Concebido pelo polêmico espanhol Santiago Calatrava, de obras grandiosas e esculturais, o museu ostenta todas aquelas sacadas sustentáveis sem o qual nenhum projeto atual ganha o conceito de atual.

Mas, bastou uma manhã de sábado com tempo feio, chuva inesperada e muita fila, para xingar o gênio de Calatrava. Uma obra monumental que não preveu o temperamental clima tropical. Ou para sermos mais específicos, que não dá a mínima para oferecer um abrigo da chuva. Muito pelo contrário. Caindo das crateras de sua estrutura vazada, as gotas d’água pareciam se espatifar nas nossas cabeças ainda maiores e mais intensas.

Dica da Turista Acidental:

Evite finais de semana e compre seu ingresso online, no site do museu.

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Da Série Pensamentos que Afligem ABALO SÍSMICO NO AMOR

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Entre tantos acontecimentos que intensificaram gostos e desgostos de Agosto, a separação do casal 20 de jornalistas globais repercutiu  em onda  viral de comoção. E piadas, claro, porque brasileiro é gaiato e inventou o ditado que para rir – por enquanto, não se paga  imposto.

As pessoas já tendem a se sentir íntimas de apresentadores. Se eles apresentam o nascimento dos surpreendentes trigêmeos em rede nacional, ninguém segura a afeição dos tios de sofá, que sobe  em picos estratosféricos de audiência,  quase se sentindo família.

Então, quando o casal boa-noite se separa, nossas já rarefeitas certezas amorosas, são sufocadas. A gente se dá conta de como precisa acreditar em contos de fada e em algo  forte ( ou seria mágico?)  o suficiente, para não acabar.

E começa a escapar do senso-comum simplista, e despir nossos achismos da miopia com mais sagacidade. Vejam que não usei a palavra ceticismo. Não se trata disso. A verdade é que quando a questão é o intangível e impoderável terreno da vida a dois, meu amigo, é cada um com seu cada qual. As relações mais improváveis podem ser as mais duradouras.

Talvez ainda vamos descobrir  um coeficiente de resistência ,que formule a equação para medir temperamentos mais sujeitos a uma união estável, mesmo sabendo que na natureza da vida flui a imprevisibilidade

Mas, enquanto isso não acontece, a gente tenta ler os sinais da cara metade  com intuição e perspicácia. O outro lado da laranja pode até estragar com o tempo, mas que leve tempo. Muito tempo.  Não dá  para congelar amadurecimento, nem ter visão raio x que detecte coração podre. Mas dá pra colar na experiência daquelas  mulheres que parecem ter nascido ou aprendido nos anos esse poder.

Como regral geral, num território minado de exceções, o que conta é querer estar e fazer história juntos. E não faz diferença em  quantos capítulos ela se concluirá ou o número de páginas, o fundamental é que seja uma boa história. A sua história. E somente a você e ao seu par, cabe julgar, se o final  justificará os meios, ou se os meios justificarão o fim.

Alessandra Schauffert

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COMO EU SOU DEPOIS DE VOCÊ

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Aos 42 anos meu pai morreu de leucemia. Não deveria ser desse jeito, a história de morte reter mais memórias do que as de vida, mas foi o primeiro choque de uma criança com a impiedosa roleta-russa da existência. A constatação incrédula de que não há leis regendo (muito menos justiça) a ilógica linha do tempo do nosso prazo de validade humano.

De uma forma que só o passar dos anos me fez assimilar a dor, ele já tinha partido com a separação aos meus 5 anos,  e depois por vagar na invisibilidade imprevista de um pai ausente. Talvez o mais doloroso foi ter o perceptivo entendimento infantil de que ele amava minha mãe e mesmo assim, não sabia lidar com a necessidade de escolher mudar. Uma mudança permeada de concessões alternadamente triviais e sérias que a construção de uma família e a vinda dos filhos impõe. Para corações indômitos ou imaturos, um massacre cotidiano no espírito da leveza e liberdade.

Nosso encontro onde perguntaria sobre a complexidade dos  seus sentimentos nunca aconteceu. Nem na minha imaginação, sempre em fuga da auto-piedade. Mas guardei suas palavras finais, como uma sentença de vida: a coisa mais importante do mundo é a humildade. Derramei as lágrimas, que travei para simular esperança, ao fechar a porta do quarto do hospital. De uma triste maneira, sabia que nosso último momento juntos tinha chegado ao fim.

Ainda não sei com o que aprendi mais, se com sua morte ou sua vida. Diante de nossa abreviada convivência, meu pai foi mais lição que exemplo.

Coleciono um patchwork emocional tecido com a memória afetiva materna e amigos que desconheço. Aos olhos familiares e estranhos, usando palavras que tantas vezes escutei, meu pai era festivo, desprendido, divertido, admirado, querido, craque, charmoso, bonito, boníssimo, rodeado de amigos. Dos incontáveis, de festa, bar, bairro, esporte ou areia, poucos se fizeram presente durante sua doença. Mas foi a fase que mais nos uniu, revelando uma genuína síntese do que são laços de família, meu pai sendo cuidado por uns meses na nossa casa, que já tinha ganho outro membro,  com o segundo casamento da minha mãe. Foram férias prolongadas que superam o abismo de crateras emocionais.

Um amigo me disse que uma das coisas que teve e não poderia dar aos seus filhos são os valores que só uma infância de privações dá.  Eu tive uma infância de perda, o que me dotou de um temperamento avesso ao drama e tristeza fácil. Desde cedo, aprendi que coisas ruins acontecem com gente boa e o melhor antídoto é julgar-se feliz, agradecendo o hoje como presente único.

Aprendi que há várias formas de amor e que pessoas amam de diferentes maneiras. E, que não importa a intensidade do amor, é preciso outros sentimentos envolvidos para que duas pessoas permaneçam juntas.

Aprendi que não faz diferença quão luminosa seja sua companhia, a enfermidade espanta as pessoas, como mariposas que perdem o foco de luz. Mas também tem o poder de apertar os laços afetivos.

Aprendi que do caos nascem nossas mais brilhantes estrelas e que a vida precisa tanto da leveza do ar quanto da força da gravidade dos buracos  negros.

Aprendi que orgulho é uma jaula dissimulada e que um dos mais sábios caminhos para crescer e evoluir é se manter humilde.

Aprendi que as circunstâncias são incontroláveis, mas nossas escolhas, mesmo nem sempre nos levando onde queremos chegar, definem muito de quem somos.  São inadiáveis. E é necessário  enfrentá-las.

Aprendi que nosso tempo tem começo, meio e fim, mas as marcas que deixamos nas pessoas nos tornam infinitos.

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OUSE OUVIR A SUA VOZ AO JURAR SIM

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Juras de amor não são mais eternas, mas toda festa de casamento faz a gente acreditar que, ao menos naquele momento, elas são. Por isso, casamentos seguem como um dos mais felizes, imprescindíveis, belos e otimistas, rituais humanos.

De alguns anos para cá, ainda não sei se é um fenômeno emergente apenas tupiniquim , se tornou missão para corações impávidos burlar o protocolo coreografado que se tornou o mise-en-scéne do casório no país, e ditar um pouco dos seus próprios sonhos.

Como comprar aquele apartamento decorado que tem tudo, menos a alma de quem vive nele, protagonizar um casamento com uma obrigação de agenda “precisa ter”  implícita, faz até das noivas mais românticas uma clone fácil.

Existem pessoas mais pragmáticas do que as outras, que não querem perder tempo e desejam decidir objetivamente. Ok. No entanto, tanto elas quanto as mais sonhadoras, tem as mesmas chances de sucumbir na pasteurização padronizada de uma festa de casamento, não importa se extravagante ou comedida. As primeiras por colocar a razão na frente da emoção e as segundas pelo abuso que sofre sua miscelânea de sentimentos envolvidos.

Modismos também se aproveitam de quem não sabe muito bem o que deseja. Dizem que a moda agora é casar no estrangeiro, porque ficou mais barato lá. Só vejo significado nisso se os noivos tem alguma história com o lugar escolhido, do contrário, me parece começar  a lua-de-mel acompanhado.

Casamento casamento, tem avó, criança, cachorro, gafe, os bêbados mais incontroláveis, família.A que Deus escolheu para nós e a que escolhemos na vida.E quanto mais fugir do script pronto e arriscar o improviso sem plano B, mais inesquecível será.Desde que seja você, o sei estilo, a sua vontade, o seu próprio sim.

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OLHOS NOS OLHOS Convite ao Império dos Sentidos

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O que é mais íntimo, olhos nos olhos ou beijo na boca?
No precioso preciso momento da dança do acasalamento humano, o beijo é como um tsunami de entrega física, capaz de fazer o tempo parar. Mas é o olhar que tem o poder de desnudar a alma, transcendendo um instante de química fugaz. Não é apenas arriscar-se a se deixar tragar nas profundezas
do outro ou revelar o seu interior: é dizer ( e também questionar) eu estou aqui, nós estamos aqui agora. Um convite desarmado ao outro entrar.
Um olhar interno, simultaneamente familiar e desbravador, num mundo onde encarar o contato pessoal, vai cada vez mais se desfigurando na indiferença.
Há quem sabote essa mágica, mentindo com os olhos fixos nos nossos.Impostores dos sentimentos, acovardados na superfície do egoísmo do que não ousam compartilhar.
Aos destemidos, que ainda se atrevem a  olhar nos olhos, a vida lhes reserva uma tempestade de emoções  que implodem os sentidos. E fazem todo o resto ter sentido.

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DILEMAS Filosóficos para Chuva na Primavera

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“Triste é viver mais de touch do que de toque.”Zack Magiezi

Aflições contemporâneas ou eternamente humanas? E o que fazer com o medo real de que o SENTIR se torne algo intrinsicamente virtual? Dúvida que persegue: estamos de verdade criando novas formas de sentir ou anestesiando os sentidos?
Limites tênues e ainda assim intransponíveis para uma geração atônita entre a complexidade incoerente de um mundo onde a inexistência de fronteiras no universo digital se choca com as nacionalistas barreiras  globais… Enquanto você navega na rede fugindo do tedium vitae, outros navegam por mares da incerteza, fugindo do esfacelamento da própria existência. Você se sente seguro mas solitário. Eles rejeitam a insegurança e não estão sós. Ambos sabem que não existe nenhum lugar seguro no meio de uma humanidade que perdeu o sentido do seu significado universal.

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A PALAVRA MAL-DITA

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Implacável como o tempo, a palavra dita nunca se dissipa. Não importa se fria ou furiosa, traindo indiferença ou desprezo, ela ressoa nas aleatórias paredes da memória como juiz e algoz.  A palavra mal-dita vocifera inverdades que não nos pertence e torna a incompreensão, o mais solitário dos sentimentos, presente.

Alheia, ao passado e futuro, machucando o agora, ela delineia a pior versão de nós mesmos para  desconhecermos quem a golpeia sem razão. Mágoa corroendo a corrente sanguínea num fluxo  sem volta, espalhando a toxidade de relações sob pressão.

A palavra incisiva distorce a realidade, tantas vezes emitindo uma vergonha camuflada na pretensão egoísta de domar o que defendemos com igual ferocidade:  aquilo que nos faz e é  particular. A palavra que não volta atrás: como estilhaços atravessando o peito sem ar, viscosidades insuspeitadas de um ser que, abruptamente, se desfigura e corrompe o ato de amar.

Mas, caro amigo, ainda prefiro suas certezas equivocadas, do que a estéril ausência de sinais vitais da consciência e de minha presença. Saber, por mais injusto ou impiedoso que seja, o que o outro pensa sem desenganos. Somente assim me é dado o pleno direito de fazer minhas escolhas sem danos.

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PERDAS e DANOS Sobrevivendo ao Embrutecimento Cotidiano

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Talvez somente os que lembram daquele slogan de marca de cigarro O Importante é Ter Charme – de tempos ancestrais às imagens doentias dos maços atuais, quando clichês como “uma questão de classe” não eram confundidos com ostentar uma bolsa grifada, possam sentir nostalgia por dias mais elegantes.

É preciso esclarecer desde já: não existe elegância sem educação. Educação é o cerne. Educação é o que nos falta. Não aquele verniz pronto a descascar e mostrar que na superfície da civilidade reside a barbárie. Uma educação moldada na raiz, nos princípios éticos, não na flexível e arbitrária legalidade, mas  gerada do que é certo.  Muito distante da disforme grosseria que se exibe como uma ferida exposta entre nós.

O dramaturgo alemão Bertold Brecht foi preciso: “há no ser humano, inclusive nos bons, uma série de ferocidades adormecidas, convém não despertá-las.” Diria – e diante de acontecimentos que presenciei somente neste mês- que ficou tão fácil despertá-las, que duvido que estejam dormindo. Parecem que estão a espreita, esperando o momento mais irrelevante para virem a tona e demonstrarem sua pequenez humana. Sim, porque, infelizmente, motivos genuínos para fúria nos sobram nesse injusto terceiro mundo, mas a maioria prefere esbravejar suas frustrações na fila da padaria, agredindo no trânsito, batendo em mulheres, xingando crianças, filmando e repassando tragédias alheias por whats up, como se fosse um hábito banal, ignorando que é um crime que revela  muito mais sobre a vida vazia  dos cúmplices que o propagam, do que sobre a das  vítimas.

Outras atitudes que não são propriamente sinônimos da estupidez, apenas um corroído reflexo da indiferença aguda das relações sociais contemporâneas, mostram como a falta de educação se tornou um padrão tão comum, que é quase imperceptível. Quem observa o mal uso que fazemos do celular e como nos sentimos muito mais a vontade teclando do que conversando, postando um instagrâmico  radiante bom-dia do que erguendo o olhar para cumprimentar a pessoa ao lado, desconectados do momento presente e ansiosos por não saber mais o que priorizar nessa urgência vã, entre tantas outros questiomentos, que acredito não se restringirem a minha geração. Não é a toa, a quantidade de jovens se entupindo de alteradores e reguladores de sensações, com prescrição médica ou não, incapazes de lidar com as próprias emoções.

Falta de gentileza e bom-senso doem, latejam. Procuro respirar fundo e pensar antes de agir. Mas sou parte e aqui, como desabafo, venço as barreiras do distanciamento da minha natureza. Quero passar imune ao embrutecimento diário. Se fraquejar, não resisto. Se endurecer, me desfiguro. Quando me deparo com a fuga diária da razão, e minha alma estranha, sei que por hora ainda estou bem.

Como reagir?  Me aproximando do que admiro. Me cercando de pessoas que engrandecem minha perspectiva e que se mantém fieis a sua educação, elegância e valores. Gente que honra a humanidade. Gente respeitosa, de fino trato, gente fina. E, como o adorável personagem Gustave de O Grande Hotel Busapeste, gente que é uma visão poética de um mundo que em muitos lugares já não existe mais.

PS: Dedico este texto a todos que tentam neutralizar a grosseria desse mundo desiquilibrado, em especial a duas presenças catarinas das mais elegantes e educadas:Roberta Zimmermann Buffon e Everton Luz Varella.

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NO Escurinho do CINEMA Filosofias Pessoais de CINERomance

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Me arrisco em dizer – apenas baseada na minha própria experiência até aqui e tendo dúvidas impiedosas se ela pode validar qualquer coisa – que não importa quão diferentes sejam duas pessoas: se elas gostam e querem as mesmas coisas, há grandes, talvez imensas, probabilidades de permanecerem juntas.

Pode parecer ridículo julgar que algo prosaico como um convite ao cinema seja um elo capaz de fortalecer relações tão complexas quanto as do cotidiano do coração, mas, ao menos no meu ritual particular, as suspeitas se tornaram certeza ao longo dos anos.

Quando  meu “namorido”  escolhe entre tantos blockbusters do feriadão, um romance baseado no rei dos lenços&lágrimas – Nicholas Sparks -, é como se o termomêtro do nosso casamento marcasse a temperatura ideal.

A verdade é que gosto do fato dele não se encaixar no perfil do cinéfilo sempre em busca do filme cabeça angustiante da vez, papel que me cabe como aprendiz de escritora e fã  de quase todos os gêneros da Sétima Arte. Intelectuais, não adianta franzir as sombrancelhas….  confesso que  cada clichê sentimentalista de Sparks me faz suspirar mais feliz.

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Sei que ele me convida não apenas por saber que eu curto, mas porque realmente curte. É, invariavelmente, uma  bonita e desejada história de amor e paixão, nem sempre com final feliz, mas com emoção garantida antes das luzes se acenderem.

O maior sucesso de um romance de Nicholas Sparks adaptado para o cinema, é de longe o nosso favorito sem concorrentes: Diário de Uma Paixão. O único que não assistimos pela primeira vez juntos. E, pelas estranhices inescrutáveis de toda coincidência, um dos responsáveis por nossos encontros  depois de três anos de desencontros.

Foi também no escuro do cinema, aquele inevitável momento água-fria-acorda-pra vida, quando percebemos que nenhuma das nossas céticas companhias na época vibrava com Diário de Uma Paixão na mesma sintonia. Faltava emoção e de repente alguma coisa não fazia sentido. Sim, porque amor e paixão, são isso: razões para se estar vivo, aquilo que dá  cor e sentido à existência. Descobrir com quem lá no fundo, viver é sentir profundo.

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Sexta Insana PORQUE AS MULHERES TRAEM – Mesmo Quando Amam

Cena 1 – Casal viaja para SP a negócios paralelos.

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Cena 2 – Último dia, no restaurante.

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Almoçam juntos e ele a surpreende dizendo que voltará horas mais cedo, afinal não tem mais nada a fazer lá(?!). Ela  pensa, sem nada dizer, que sua companhia no aeroporto e avião não é motivo suficiente para fazê-lo ficar. Impassível, ela pede que ele leve 3 caixas que estão no hotel, para livrá-la do excesso de bagagem. Insensível, ele refuta, alegando que se atrasará.

Cena 3 – No Aeroporto, ela.

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No saguão, manobrando 2 carrinhos, ela é resgatada por  um amigo recém-divorciado, inesgotável em gentileza e interesse ávido. Imediatamente, ele assume o comando, o sobrepeso, os desconfortáveis trâmites de um check in impessoal.

Cena 4 – De Caso com o Acaso

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Ele quer saber dela, ela se sente cuidada. Alguém se importa. Alguém que não exige nada em troca. Talvez, alguns fluidos pessoais apenas. E os pensamentos surgem. Sem freios nem receios. Um olhar de reconhecimento mútuo os traem e atraem.

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A mágoa da indiferença não pode ser cauterizada com beijos clandestinos. Ah, mas pode, e será, anestesiada. Sem dúvidas, nem culpa – ela volta pra casa e equilibra o peso de uma relação insustentável mais uma vez.

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ATENÇÃO! CUIDADO!PERIGO!PERIGO! Eles estão Plugados entre nós O CRETINO FUNDAMENTAL

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Quem cunhou a expressão foi um dos cronistas mais perspicazes que o Brasil já teve. Quando se tratava de botar o dedo na ferida, seja na intimidade ou na mediocridade da humanidade, Nelson Rodrigues era impiedoso. E certeiro na mira.

Naquela época, Nelson já observava com espanto e desdém o tal Cretino Fundamental. Antes, lamentava ele, o cretino tinha uma noção da sua cretinice e se mantinha restrito ao seu lugar, mas, de repente, estava começando a perder o medo de exibir em público sua estupidez. Imagine o que Nelson Rodrigues diria hoje, ao se deparar com as raivosas legiões virtuais, que agem como bárbaros atrás de um teclado bombardeando uma cretinice fundamentalista? Surpresa maior, talvez fosse o fato de constatar que elas vociferam sem pudor,  e mais alto do que todo mundo.

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PAPAI NOEL, QUE A GENTE PAGUE MUITA PAIXÃO EM 2015!

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Existem algumas síndromes rebatizadas de acordo com cada época. Elas até soam diferentes, mas olhando de perto, não destoam em nada dos mesmos sentimentos que afligem a humanidade, em menor ou maior grau, desde que o mundo é mundo.

Por própria prática, constrangedora ou hilária, quase todos sabemos o que é pagar mico, embora haja sérias divergências sobre o que realmente o define. Principalmente se você tem entre 11 e 17 anos, tudo pode ser um mico. A medida que o tempo passa – e anote porque essa é uma das poucas e boas coisas que ele reforça – nossa imunidade ao medo do ridículo aumenta, não nos levamos tão a sério, deixamos as meias-palavras e os meios-termos de lado, e buscamos encarar o lado bom da vida com mais leveza. Como disse Picasso.. “Leva-se muito tempo para ser jovem…”

Superado a montanha-russa  adolescente de emoções desgovernadas do primeiro amor, garotos continuam garotos e com uma cautela extrema quanto ao mico maior de hoje: PAGAR PAIXÃO. Pagar Paixão, seria demonstrar afeição, ficar de quatro ou pegar na mão, arriar os quatro pneus, beijar com as mãos no rosto, ou seja, expressar espontaneamente entrega: dizer que está muito a fim, sim. E daí?

Como é difícil se desarmar do receio de um pé na bunda público. Também se corta o bem pela raiz e tanta coisa se deixa de sentir por pânico do que pode surgir depois. E as mulheres também andam ariscas. Gatas escaldadas pulam quando o teto de zinco esquenta de repente. A química de aditivos recreativos produz juras de amor na mesma duração de beijos sem fim. Que é bom, é, e muito. Mas, não existe nada mais sonoro do que discurso que corresponda ao ato. Os bipolares que se curem, equilíbrio emocional hoje é muito mais atraente do que loucuras em nome de um amor narcisista. Até mesmo as detentoras dos corações mais destemidos estão reticentes.

Uma dúvida recorrente: se sexo não descontrolasse mentes e causasse gente, estaria a continuação da espécie condicionada (ou ameaçada) pela tirania sistemática de uma agenda de prioridades egocêntricas? Salve os hormônios e a piriguetagy!

Mas voltando aos encontros&desencontros entre homens e mulheres atualmente, fico analisando como sobrevivemos e sobreviveremos as nossas contradições intrínsecas. Enquanto nós, desde que nos tornamos mulheres, sofremos por precipitação, nos considerando sempre prontas para abraçar o amor romântico a todo instante, tantas vezes contra tudo e todos, eles, os homens, podem até mesmo  rejeitar sem nó no peito “a mulher da sua vida” apenas porque ela cismou de aparecer na hora errada. Uma questão de timing.

Hum.. sei, Peter Pan não quer crescer, meu bem. Alguns estipularam, desconfio que apenas para acalmar os ânimos da vovó, que, talvez, depois dos 35, quem sabe? Mas o tempo não volta, Amor. E a fila anda, não é, meninas?

Por isso meu pedido para o Papai Noel é esse: que todos peguem e paguem muita paixão em 2015, sem hora marcada, sem medo das patrulhas carentes da retaguarda. Misturem os mantras dos 70 com os do 90, All We Need Is Love, Sem Tesão não Há Solução, e façam suas próprias fórmulas.

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Em momentos triviais da existência, você de repente se sente dentro de um filme B, cujo título A Hora do Espanto, definiria exatamente o assombro diante da realidade.

Eu, que sempre fui tratada com aspas como diplomata, por membros da família, hum, digamos mais “espontâneos” – para continuar ostentando o título, acima. Eu que ainda prefiro acreditar na gentileza  e procuro não alimentar a grosseria alheia com indelicadeza, mesmo sendo essa uma característica natural, não sou blindada contra expressar uma antipática adversidade diante de certas circunstâncias banais que aterrorizam meu bom-senso estético.

Tive uma escola prática sobre as agruras que passam vendedores por causa de produtos incompreendidos.No meu caso particular, manter a simpatia diante de desagradáveis criaturas que se sentiam insultadas pela vitrine mais cara da rua, em uma cidade turística 12 anos menos civilizada do que é Balneário Camboriú hoje, me esclareceu desde cedo que comprar sempre é um ato emocional e propenso a irracionalidade. Lembrei desses meus insensíveis professores, passantes e clientes imprevisíveis dos tempos de glória da avenida Central, na semana passada. Tive uma reação meio agressiva, quase como eles.

Em uma loja que simpatizo bastante, especializada no que mamães podem julgar precisar para o bem estar dos seus bebes, procurava um look básico fofo para minha sobrinha Valentina de 10 meses. Sempre gostei de dar brinquedos para os pequenos, mas foi só ter uma menina por perto que o lado brincar de vestir boneca começou a aflorar de uma hora para a outra.

Foi aí que A Hora do Espanto  kids baixou sem dó. Quando a solícita atendente abriu o gavetão – onde estavam armazenadas as peças do  tamanho em questão- uma miríade de micro modelitos assustadores se materializaram diante dos meus olhos incrédulos. Brilhos, purpurinas, oncinhas, tecido lingerie, toda sorte de misturas enfeitadas que já seriam medonhas em tamanho adulto, ficavam ainda mais bizarras em versão bebe. Fiquei com pena dos abusos sofridos por  gente sem filtro estético que acredita que  essas aberrações da moda infantil sejam engraçadinhas. – Deviam prender quem cria essas coisas!- falei aterrorizada. Por que não copiam Stella,  MJ kids? Pensei no serviço humanitário que a Zara e Gap baby nos prestam…

Então, qual náufrago que avista terra firme, me deparo com um conjuntinho  simples, confortável e delicado da BIBE, marca com bons básicos em algodão e critério nas composições, que conheço desde a época do Nicolas. Valentina, seu look do dia foi salvo! Mas, mesmo de sacolinha em punho na saída, a tia aqui ainda está assustada.